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Casa Cria

Com o El Niño, o calor chega primeiro à periferia. E a política, vai chegar?

Em meio a um El Niño muito forte e às vésperas do segundo turno, Nanda Coppieters e Jurema Paes participaram de uma roda de conversa no Hub Casa Cria. O encontro reforça que a crise climática chega primeiro à periferia e que direitos socioambientais e políticas públicas precisam chegar onde as pessoas moram.

Por Nanda Coppieters 6 de outubro de 2026 3 min de leitura 20
Com o El Niño, o calor chega primeiro à periferia. E a política, vai chegar?
Foto: Wesley Neres/MEGA DIGITAL

Com o El Niño, o calor chega primeiro à periferia. E a política, vai chegar?

Uma roda de conversa necessária no Hub Casa Cria

Tenda armada, cadeiras em roda, criança no colo e gente chegando aos poucos. É assim que muita coisa importante começa na periferia: em roda, no próprio território, com quem vive o problema na pele.

Foi numa roda assim, aqui no Hub Casa Cria, que eu, Nanda Coppieters, e Jurema Paes, minha parceira na Bioversa, estivemos recentemente. Fomos para ouvir, trocar e lembrar que informação sobre direitos socioambientais e políticas públicas precisa chegar onde as pessoas moram.

A crise climática já tem endereço. E agora ela vem com reforço: estamos sob um El Niño muito forte, fenômeno que aquece as águas do Oceano Pacífico e muda o clima no mundo inteiro. Aqui no Nordeste, ele traz mais calor, ondas de calor mais frequentes e menos chuva. O alerta já foi dado pelos órgãos oficiais de monitoramento do clima.

Mas o El Niño não atinge todo mundo do mesmo jeito. Quem mora em casa pequena, com telhado que esquenta, pouca ventilação e pouca árvore na rua sente o calor muito mais. Quem depende de água que já falta na torneira sente a estiagem antes. É a encosta que desce quando a chuva forte volta, o esgoto na porta de casa, o calor que não deixa dormir. E quem sente primeiro somos nós, principalmente as mulheres, que seguram a casa, os filhos e a comunidade quando tudo aperta.

Por isso, conversar é ato político. Quando a comunidade se reúne, entende seus direitos e sabe o que está sendo prometido, ela deixa de ser apenas atingida e passa a cobrar. Encosta segura, saneamento digno, água garantida, mais sombra e árvores nos bairros e o direito de ser ouvida antes de uma grande obra chegar não são favores. São direitos.

O primeiro turno passou e agora vamos para o segundo, no dia 25 de outubro. Os dois projetos que seguem na disputa pensam o meio ambiente de jeitos muito diferentes, e essa diferença chega à nossa porta. Antes de apertar o botão, pergunte: esse projeto enxerga a minha comunidade? Ele tem plano para o calor extremo e para a falta de água?

O calor já chegou. A pergunta é se a política vai chegar também. Justiça climática não nasce em gabinete. Nasce em roda, como esta.

Nanda Coppieters é advogada ambiental, mestra em Território, Ambiente e Sociedade, integrante do Trentinella Advocacia e fundadora da Bioversa, com atuação em ESG, justiça climática e direitos comunitários.

Jurema Paes é historiadora, jurista, pós-doutora e professora da PUC-SP, pesquisadora em Direito Ambiental, Climático e Inteligência Artificial, integrante do Trentinella Advocacia e fundadora da Bioversa.

Roda de conversa sobre justiça climática, direitos socioambientais e políticas públicas no Hub Casa Cria, em Salvador, com a participação de Nanda Coppieters e Jurema Paes.
Roda de conversa sobre justiça climática, direitos socioambientais e políticas públicas no Hub Casa Cria, em Salvador, com a participação de Nanda Coppieters e Jurema Paes.
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