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Casa Cria

Cortaram a ajuda das mulheres. Agora querem o nosso voto.

Discurso bonito não protege ninguém. Antes de votar, olhe o que já foi feito pelas mulheres. Leia a coluna de Nanda Coppieters.

Por Nanda Coppieters Atualizada em 3 min de leitura 8 visualizações 0 curtidas 0 comentários

Promessa a gente ouve. Atitude a gente confere.

por Nanda Coppieters

Em época de eleição, todo mundo diz que ama as mulheres. Aparece flor, aparece discurso bonito, aparece foto abraçado com mãe, com vó, com trabalhadora. Mas eu aprendi, no meu trabalho e na convivência com as comunidades, que palavra bonita não protege ninguém. O que protege é atitude. E atitude deixa marca: no dinheiro que foi gasto ou ficou parado, nas leis que saíram do papel, nas escolhas de quem já teve o poder na mão.

Por isso, nessa reta final, meu convite é simples: antes de acreditar na promessa, olhe o que já foi feito.

Sem dinheiro, não tem proteção

Ajuda para mulher só funciona se tiver dinheiro por trás. Sem dinheiro, não tem Casa da Mulher, não tem carro da patrulha Maria da Penha, não tem abrigo, não tem ninguém para atender a mulher que pede socorro.

E os números dos últimos anos contam uma história que a gente não pode esquecer. Entre 2020 e 2022, o dinheiro do governo federal usado para combater a violência contra a mulher caiu de uns 100 milhões de reais para uns 30 milhões. Ficou menos de um terço do que era.

Em 2020, no meio da pandemia, quando muita mulher estava presa dentro de casa com o agressor, 70% do dinheiro separado para enfrentar essa violência nem foi usado. Foram quase 94 milhões de reais que não chegaram aos estados e às cidades.

Sabe o que isso quer dizer na prática? Delegacia sem estrutura, lugar de acolhimento fechado, mulher que pediu ajuda e encontrou a porta trancada.

Quando a atitude muda, a vida muda

Depois disso, o caminho foi outro. Pela primeira vez, o Brasil ganhou um ministério só para cuidar das mulheres. Em 2023, saiu a lei que obriga as empresas a pagar o mesmo salário para homem e mulher que fazem o mesmo trabalho, e agora elas precisam mostrar que estão cumprindo. Vieram mais carros para as patrulhas Maria da Penha. Veio uma pensão para os filhos de mulheres que foram assassinadas por serem mulheres. E veio uma lei que reconhece o trabalho de cuidar (de criança, de idoso, da casa), aquele trabalho que sempre caiu nas nossas costas sem ninguém pagar.

Ainda falta muito. Mulher continua morrendo por ser mulher neste país, e nenhuma lei sozinha resolve isso. Mas tem uma diferença enorme entre quem tenta construir e quem deixa tudo desmoronar.

A pergunta que eu deixo

Mulheres das nossas comunidades, a gente sabe reconhecer atitude. A gente sabe a diferença entre quem só aparece na época da festa e quem está junto no dia difícil. Na política é a mesma coisa.

Então, antes de domingo, se pergunte:

Quem, quando estava no comando, cuidou da proteção das mulheres? E quem deixou o dinheiro parado?

Quem trata violência contra a mulher como coisa séria, e quem trata como bobagem?

Quem defende salário igual, creche, posto de saúde e cuidado como direito nosso, e não como favor?

Quem respeita as mulheres não só na fala, mas nas escolhas que faz e nas pessoas que escolhe defender?

Nosso voto foi conquistado com muita luta. Que ele seja usado com memória.

Nanda Coppieters é advogada ambiental, mestra em Território, Ambiente e Sociedade e fundadora da Bioversa, com atuação em ESG, justiça climática e direitos comunitários.

• Mulheres unidas pelo futuro. Escolher com memória é proteger os direitos de todos.
• Mulheres unidas pelo futuro. Escolher com memória é proteger os direitos de todos.
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