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Lula e as periferias: entre a história de vida, as políticas sociais e os desafios de quem vive na favela

Lula tem uma história que se conecta com a realidade de muita gente da quebrada, mas será que as ações do governo estão chegando a quem mais precisa? Marcus Pantera troca essa idéia sobre conquistas, desafios e o que ainda falta mudar nas favelas do Brasil.

Por Marcus Pantera 4 min de leitura 2 visualizações 0 curtidas 0 comentários
Lula e as periferias: entre a história de vida, as políticas sociais e os desafios de quem vive na favela
Foto: montagem AMP Criativos

Vou falar a real: quem vive na favela não ''come pilha'' de discurso, não paga conta com promessa e não cria a gurizada com propaganda política. A vida na quebrada é muito mais complexa do que muita gente que não vive a realidade do dia a dia imagina.

Mas, quando o assunto é Lula e sua relação com as periferias brasileiras, existe uma coisa que não dá para ignorar: a história de vida do presidente tem pontos de encontro com a realidade de milhões de trabalhadores que conhecem de perto a pobreza, o trabalho duro, a luta para melhorar de vida e a vontade de transformar seu território com base em sua potencia.

E não é só uma questão de identificação. É também uma discussão sobre projeto de país.

Quando falamos de Bolsa Família, valorização do salário mínimo e programas como o Pé-de-Meia, estamos falando de comida na mesa do povo, jovem permanecendo na escola e famílias tentando respirar no meio de tantas dificuldades. O Desenrola Brasil também colocou em pauta um problema que muita gente conhece bem: o sufoco das dívidas que se acumulam enquanto o salário desaparece antes do fim do mês - em meio ás novas politicas publicas voltadas para as periferias essa ainda é uma realidade para muitos dos brasileiros que vivem nas Favelas do país.

Isso importa! E seria injusto ignorar o peso dessas políticas na vida de quem mais precisa.

Mas também não vou passar pano: ter história com o povo não significa ter resposta para tudo. O preço dos alimentos pesa, o transporte continua sendo um desafio, o SUS enfrenta filas e muita gente ainda vive sem saneamento básico e moradia digna. A favela precisa sentir a diferença no bolso e na qualidade de vida, não apenas ouvir que é prioridade.

E tem um assunto que mexe comigo: segurança pública.

Nós queremos nossas comunidades livres do domínio de facções e milícias. Queremos nossos filhos crescendo sem medo, trabalhadores chegando em casa e famílias vivendo em paz. Mas não dá para aceitar que a solução para a violência seja transformar a favela num campo de guerra, onde o morador honesto vive entre o medo do criminoso e o risco de uma bala perdida.

Segurança de verdade é inteligência, investigação, prevenção e oportunidade através da educação . É combater quem ameaça a população sem tratar todo morador de periferia como suspeito.

Também precisamos falar da juventude. Não adianta cobrar que o jovem abandone o crime se não oferecemos escola de qualidade, cultura, esporte, tecnologia e trabalho. A favela não tem falta de talento. Tem falta de oportunidade para talento virar profissão, renda e futuro.

Imagem: Paulo Whitaker/Reuters
Imagem: Paulo Whitaker/Reuters
Em 2003, o então presidente Lula passou pela favela de palafitas Brasília Teimosa

Na minha opinião, o Presidente Lula tem uma conexão histórica e política importante com a população periférica. Suas políticas sociais dialogam com necessidades reais, e isso precisa ser reconhecido. Mas essa relação não pode virar cheque em branco, muito menos torcida organizada.

Quem ama a Favela cobra. Quem acredita em um projeto político também precisa fiscalizar, apontar os erros e exigir resultados.

A favela não quer ser lembrada só na eleição, aparecer no discurso de Brasília ou virar cenário para fotografia de político. Quer investimento, dignidade, respeito e participação nas decisões que afetam sua vida.

Porque nós não somos apenas eleitores. Somos trabalhadores, mães, pais, empreendedores, artistas, estudantes e cidadãos que movimentam este país todos os dias.

E fica aqui o meu recado: não queremos favor de governo nenhum. Queremos nossos direitos respeitados e as oportunidades que sempre nos disseram que existiam.

Foto: RICARDO STUCKERT
Foto: RICARDO STUCKERT

Se Lula conhece a realidade do povo, que essa conexão continue se transformando em ações concretas. E que nós, moradores das periferias, nunca percamos o direito de cobrar, questionar e exigir mais.

Afinal, a favela não precisa de salvador. Precisa ser tratada como parte fundamental do Brasil.

Marcus Pantera | Favelando

Whatsapp: 71 98862-5294

Email: marcuspantera071@gmail.com

https://www.instagram.com/marcuspantera/

Favela no centro do debate. O povo no centro das decisões.

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