Do volante ao dendê: a virada do Chefe Pivete, do Restaurante Cristo Salvador
Ele sonhava em ser ator, virou rodoviário e foi demitido. Hoje comanda um dos restaurantes conhecidos do Subúrbio Ferroviário — e agradece ao chefe que o mandou embora. A história no Puro Dendê Talks.

O menino do Subúrbio Ferroviário de Salvador queria ser ator. A porta que abriu não foi a da televisão: foi a da garagem de uma empresa de ônibus. Ele virou rodoviário — e foi ali, no meio da rotina, que descobriu a cozinha.
Hoje ele é o Chefe Pivete, dono do Restaurante Cristo Salvador, no mesmo subúrbio onde nasceu, e é procurado pela moqueca. A trajetória foi o assunto do episódio do Puro Dendê Talks, ao lado de Marcos Pantera.
A demissão que virou o caminho
O ponto de virada da história não é uma promoção — é uma demissão.
Segundo ele contou no episódio, foi mandado embora, e entendeu depois que a saída tinha mais a ver com o incômodo que ele causava do que com o trabalho que fazia. Em vez de guardar mágoa, mandou um agradecimento ao antigo chefe, José Augusto, a quem se refere até hoje como um pai.
A leitura que ele faz é direta: quando uma porta fecha, é porque vem coisa melhor. Diz que aprendeu a não se abater — se chegar ao restaurante um dia e encontrar tudo fechado, vai entender que era para ser assim.
Começou na laje, com dois clientes
O primeiro ponto não foi um salão. Foi a laje de casa, de frente para o mar.
Uma amiga apareceu com o marido achando que ia "furar boia" — e descobriu que era pago, com cerveja gelada. Foram os dois primeiros clientes do que ele chama de "boteco do pivete".
Do boteco ao restaurante, vieram as premiações. Entre elas, um desafio promovido pela Perdigão em 2019.
O que ele ensina para quem quer empreender no subúrbio
Boa parte da conversa é conselho prático, e nenhum deles é sobre capital:
- Trate todo cliente igual. Ele diz que quem pede uma água mineral recebe o mesmo tratamento de quem gasta mil reais. Aprendeu vendo o contrário em outros lugares e achando aquilo uma falha.
- Não existe "patrão". Quem trabalha com ele é colaborador e amigo. Recomenda a outros donos que observem e conversem com a equipe.
- O tempero é a dedicação. Diz que a comida sente a energia de quem cozinha, e que sem vontade nem o ovo sai bom.
- Crie sem medo. O diferente é o que separa quem se destaca de quem repete.
O recado que ele fez questão de deixar
Antes de encerrar, o Chefe Pivete voltou ao ponto de onde veio para pedir uma coisa a quem estivesse ouvindo: respeito ao rodoviário.
Lembrou que atrás do volante há um pai de família, uma pessoa carregando a carga mais valiosa que existe. É a categoria em que ele mesmo trabalhou antes de virar chefe de cozinha.
Assista à conversa completa
O episódio tem 1 hora e 11 minutos e está na íntegra na nossa [página de vídeos](), sem sair do portal.
Esta matéria foi apurada a partir do próprio episódio. O Puro Dendê Talks publica também no Instagram, em [@purodendetalks](https://www.instagram.com/purodendetalks/).



